domingo, 30 de outubro de 2011

Radioesterilização

A esterilização por radiação ionizante é uma técnica altamente eficiente, econômica e segura que tem tido um rápido crescimento na indústria médica nos últimos 15 anos. Prevê-se que no ano 2000 mais de 50% de produção de itens médicos descartáveis serão esterilizados por esse processo.

 Duas fontes de radiação podem ser utilizadas neste processo: raios gama de uma fonte de Co 60 ou feixes de elétrons de aceleradores de alta energia.
A radiação ionizante destrói os microorganismos presentes em produtos médicos quebrando suas cadeias moleculares e induzindo reações dos fragmentos com o oxigênio atmosférico ou compostos oxigenados, ou seja, mata os microorganismos e previne sua reprodução.

Atualmente existem três processos de esterilização industrial: por vapor (autoclave), óxido de etileno (EtO) e radiação ionizante. O vapor, a forma mais antiga de esterilização, é limitado a materiais resistentes devido à alta temperatura exigida no processo. A necessidade de uma esterilização "a frio" abriu as portas ao uso do EtO e à radiação ionizante.

A esterilização com EtO dominou o segmento do mercado de esterilização de produtos médicos descartáveis por muito tempo. Entretanto, sua natureza tóxica e a emissão de poluentes ao meio ambiente fez com que a Occupational Safety and Health Association (OSHA) a declarasse uma técnica agressiva adotando uma política rígida em sua aplicação. Atualmente, diversas empresas mundiais estão substituindo este processo de esterilização por radioesterilização.

 
A elevada competitividade da radioesterilização decorre das seguintes características do processo:

-os produtos são esterilizados já na embalagem final;
 
-a penetração da radiação assegura esterilização de todo o volume do produto, seja na forma de sólido, líquido ou gel;

-processo é contínuo e não requer tratamento posterior para a retirada de gás residual; e,
 
-emprego de embalagem impermeável a gases, assegura esterilização por tempo ilimitado.

A grande quantidade de materiais compatíveis com a radiação por ionização (termoplásticos, borrachas, têxteis, metais, pigmentos, vidros, adesivos e tintas) torna extensa a relação de produtos esterilizáveis comercialmente por este processo: seringas descartáveis, agulhas, catéteres, luvas e kits cirúrgicos, suturas, implantes, proteínas, unidades para hemodiálise, placas de Petri, pinças, reagentes, cosméticos, etc.

No Brasil, no estado de São Paulo, durante a década de 80 foram instalados três irradiadores comerciais com fontes de Co-60, licenciados para operar com atividade de 1.000.000 Curies: na Johnson & Johnson em S. José dos Campos e IBRAS em Campinas, dedicados à esterilização de sua própria produção (seringas, catéteres, suturas, fraldas descartáveis e outros produtos médicos) e na EMBRARAD em Cotia, que se dedica a prestar serviços de irradiação de diversos produtos para terceiros.
Recentemente três novas instalações foram construídas: CBE em Jarinu / Atibaia com irradiador projetado e construído no Brasil dedicado a prestação de serviço de irradiação, uma nova planta da Embrarad em Cotia para aumentar a capacidade instalada e uma unidade instalada na empresa Techion em Manaus dedicado a irradiação de alimentos.

As fontes de 60Co instaladas no ipen são de pequeno porte voltadas a ensaios de radioesterilização para determinação da dose ideal e prestação de serviços de esterilização em diversos produtos biológicos para Universidades e unidades do próprio IPEN.
Com a instalação do novo irradiador de 100.000 Curies, cujo projeto está em fase de implantação, o ipen estará em condições de realizar um importante programa de fomento e de assistência técnica à iniciativa privada no uso de irradiadores para desenvolvimento de processos de radioesterilização em:
 
-produtos médicos descartáveis, próteses, cosméticos, aditivos e componentes para indústrias farmacêuticas;
 
-meios de cultura, soluções e ingredientes para laboratórios de prestação de serviços e pesquisas;
 
-implantação de um banco de tecidos biológicos: ossos, peles e membranas diversas; e,
 
-alimentos destinados a pacientes de risco.

 
Visando aumentar a segurança e confiabilidade das práticas de irradiação destes produtos, está sendo implantado no ipen uma linha de trabalho para dosimetria em processos industriais, onde serão aplicados sistemas de controle de qualidade baseados baseadas na norma ISO 11137 e apoiar os usuários locais na validação do processo de irradiação no beneficiamento de seus produtos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Prova

QUESTIONÁRIO SUS- SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE



01- Com relação ao funcionamento dos serviços privados de assistência à saúde, a Lei Orgânica de Saúde Nº8142/90 define que:
A. A regulamentação dos serviços privados, bem como os critérios e valores do Sistema Único de Saúde serão estabelecidos pelo Ministério da Saúde e pela representação regional dos hospitais;
B. A assistência `a saúde é vedada à participação direta ou indireta de empresas de capital estrangeiro;
C. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada isentado-a de seguir as normas expedidas pela direção do SUS quanto às condições para o seu funcionamento;
D. A participação complementar dos serviços privados de saúde se dará mediante contrato ou convênio firmado pela Assembléia Legislativa, direção do SUS e o órgão de representação nacional dos hospitais;
E. Qualquer servidor público participará do controle da rede contratada pelo SUS.

02- No Brasil, como um todo, o Programa de Atenção Básica à Saúde é uma política que pretende:
A. Atingir áreas subdesenvolvidas e carentes em recursos;
B. Levar em conta as necessidades e o uso racional de recursos de uma localidade;
C. Fundamentalmente economizar recursos financeiros;
D. Utilizar pessoal leigo para atender usuários que não têm acesso ao sistema de saúde;
E. O pronto atendimento de urgência médicas por pessoal leigo sob suprvisão;

03- À concepção do Sistema Único de Saúde(sus), regulado pelo poder do Estado, corresponde:
A. Uma noção autoritária de política social que bloqueia o direito à livre organização do trabalho em saúde em um contexto de cidadania restrito;
B. Uma noção socialista de que a atenção à saúde deve ser estatal em um contexto de cidadania restrito;
C. Uma noção centralizadora e vertical do Estado como gestor único das políticas de saúde em um contexto de cidadania regulada;
D. Uma noção de Estado de bem-estar em que direitos sociais são elemento essencial em um contexto de cidadania plena;

04- A Constituição Federal Brasileira de 1988, artigo196, seção Saúde, garante ao cliente de forma exclusiva:
A. Serviços de atendimento de urgência;
B. Serviços de redução de riscos de doenças infecto-contagiosas;
C. Acesso aos serviços terciários de saúde;
D. Serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde.


05- O Sistema Único de Saúde tem como uma de suas diretrizes a :
A. Participação da comunidade;
B. Prioridade para o atendimento de alta complexidade;
C. Centralização das ações de saúde no governo federal;
D. Prioridade para o setor privado de saúde;
E. Centralização das ações de saúde no governo estadual.

06- Os três gestores do SUS exercerão, em seu âmbito administrativo, a atribuição de:
A. Administrar os recursos orçamentários destinados, em cada ano à saúde pelo Ministério da Previdência Social;
B. Elaborar as normas técnicas para os estabelecimentos que prestam assistência à saúde pelo Sistema Previdenciário;
C. Definir as instâncias e mecanismos de controle avaliação e fiscalização das açòes e serviços de saúde;
D. Participar da formulação da política e execução das ações em prol da defesa nacional;
E. Elaborar a proposta orçamentária, em conformidade com as diretrizes definidas pelo Ministério do Planejamento e Gestão.

07- O sistema Único de Saúde, com sua política de organizar e reordenar os serviços e ações de saúde, conta, em princípio, com as seguintes parceiras:
A. Instituições Públicas Federais, Estaduais e Municipais;
B. Órgãos Municipais e indústrias farmacêuticas ;
C. Órgãos Municipais e Federais;
D. Órgãos Municipais e Estaduais.

08- O modelo médico assistencial dominante nos anos 70 caracterizou-se , principalmente, pela oferta de serviços de saúde da seguinte forma:
A. Universal à população brasileira, através da compra de serviços privados por meio do Instituto Nacional da Previdência Social;
B. Prioritário às populações urbanas, através da compra de serviços privados por meio das Secretárias Estaduais e Municipais de Saúde;
C. Prioritário às populações inseridas no mercado de trabalho formal, através da compra de serviços privados por meio do Instituto Nacional de Previdência Social;
D. Universal à população brasileira pelo Ministério da Saúde, complemento através da compra de serviços privados para os trabalhadores inseridos no mercado de trabalho formal.

09- Sobre a divisão de competências nas matérias dispostas na Lei Orgânica da Saúde:
I. Definir e coordenar os sistemas de redes integradas de assistência de alta complexidade.
II. Planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde e gerir e executar os serviços públicos de saúde.
III. Identificar estabelecimentos hospitalares de referência.
IV. Executar serviços de vigilância epidemilógica.
Compete a esfera Municipal:
A. II e III somente.
B. I e II somente.
C. II somente.
D. II e IV somente.
E. I, II,III e IV.

10- Segundo o Capítulo da Saúde da Lei Orgânica do Município da Serra, NÃO implica atividades de proteção à saúde:
A. A vigilância epidemiológica;
B. A fiscalização do exercício de profissões relacionadas direta ou indiretamente com substâncias que possam provocar radioatividade e ionização;
C. A obrigatoriedade do planejamento da família;
D. O controle de qualidade da água oferecida para o consumo público;
E. O desenvolvimento de recursos humanos para a saúde.

11- A direção do SUS, no nível federal , é exercida pelo (a):
A. Previdência Social;
B. Conselho Nacional de Saúde;
C. Ministério da Saúde;
D. Conferência Nacional de Saúde;
E. Agência Nacional de Vigilância Sanitária;

12- A Constituição Federal de 1988 determinou que o SUS funcione de acordo com a seguinte diretriz:
A. Atendimento integral, valorizando os determinantes sociais do processo saúde/doença;
B. Atendimento individual, com prioridade para as atividades assistênciais e hospitalares;
C. Valorização das praticas sanitárias orientadas por campanhas verticais e permanentes;
D. Valorização das praticas sanitárias vinculadas, preferencialmente, a grupos inseridos formalmente no mercado de trabalho;
E. Valorização de ações curativas em detrimento das ações preventivas e promocionais.

13-Segundo a Lei Orgânica da Saúde( Lei 8.080/90), um critério para o estabelecimento de valores a serem transferidos a Estados, Distrito federal e Municípios é a /o:
A. Eficiência na arrecadação de impostos;
B. Perfil epidemiológico da população a ser coberta
C. Participação paritária dos usuários no conselho de sáude;
D. Alta cobertura do setor privado de saúde;
E. Aumento de impostos.

14- O princípio de Eqüidade do Sistema Único de Saúde diz respeito:
A. Á redistribuição de responsabilidades entre os três níveis de governo;
B. Á organização geral em níveis crescentes de complexidade com referência e contra-referência.
C. Ao investimento maior de recursos onde houver maior carência, visando diminuir as desigualdades;
D. Á extensão do poder decisório, gerencial e assistencial aos Estados.

15-A VIII Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília em 1986, apresenta a saúde como:
A. Resultado do acesso do cidadão aos serviços de saúde, tanto preventivos quanto curativos;
B. Resultado da organização social da produção, abrangendo diversos aspectos das condições de vida;
C. Um complemento estado de bem-estar físico, psíquico e social , e não simplesmente a ausência de doença;
D. Um estado ótimo de adaptação do indivíduo, entre seu meio ambiente físico e social e suas características psíquicas.

15- O trabalho em equipe e a ampliação das ações de saúde coletiva pretendem transformar o modelo de assistência pela:
A. Retomada da visão do paciente de modo integral (biológico, psíquico e social).
B. Troca de conhecimento entre os diferentes profissionais, que per se é um processo de educação continuada;
C. Priorização das ações preventivas;
D. Hirarquização dos riscos de cada pessoa ou família;
E. Todas as alternativas anteriores.

16- O plano Diretor de regionalização do SUS
A. Nasce da pactuação entre os gestores municipais , sob a coordenação do gestor federal;
B. Serve como subsídio para a elaboração da Programação Pactuada e Integrada (PPI);
C. Serve como um subsídio para o Plano Nacional de Saúde;
D. Aumenta a capacidade de gestão federal do SUS;
E. Incrementa as relações competitivas entre gestores do sistema.

17- As ações de Atenção Básica de Saúde dirigidas a grupos específicos, em uma determinada localidade, são de responsabilidade:
A. Do Município
B. Da Secretária Estadual de Saúde
C. Da Assembléia Legislativa
D. Da União

18- A relação do setor privado de saúde com o SUS deve ser de caracter:
A. Competitivo
B. Minoritário
C. Obrigatório
D. Prioritário
E. Complementar

19- Na assistência primária de saúde, constituem ações de promoção:
A. Saneamento básico, exames laboratoriais e odontológicos periódicos;
B. Adoção de estilo de vida saudável com prática de exercícios e o não-uso de fumo, álcool e drogas;
C. Atendimento ao cliente nos hospitais especializados e ações de reabilitação;
D. Internação hospitalar para tratamento com uso de medicamentos e tecnologia de alta complexidade.

20- O nível mais alto de decisão sobre a Saúde no Brasil é do (da):
A. Ministério da Saúde;
B. Ministério da Previdência e Assistência Social;
C. Conselho Nacional de Saúde;
D. Vigilância Sanitária;
E. Conferencia Nacional de Saúde.


21- Segundo a Lei8.142/90, a Conferência de Saúde deve avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos diversos níveis do sistema, reunindo-se a cada.
A. Ano
B. Dois anos
C. Três anos
D. Quatro anos
E. Cinco anos

22- A atenção Básica de Saúde representa um grande esforço para que o SUS se torne mais eficiente, estando centrada:
A. No diagnóstico e no tratamento mais especializado das doenças;
B. Na assistência ao cliente hospitalizado e na reabilitação com fisioterapia;
C. Na assistência à saúde secundária e terciária;
D. Nas ações de caracter individual e/ou coletivo, no nível primário.

23 A Lei 8.080, sobre o SUS, pode ser considerada insatisfatória no seguinte aspecto:
A. A população está excluída dos fóruns de discussão e decisão, mantidas as antigas estruturas decisórias nas mãos de grupos fechados nos gabinetes do Estado;
B. A estrutura proposta para o SUS termina por manter a antiga dicotomia ações preventivas x ações curativas;
C. A proposta de descentralização é frágil e não permite a quebra da tradição brasileira de centralização de decisões em nível federal;
D. As relações políticas e financeiras do SUS com o chamado sistema de atenção médica supletiva não foram regulamentadas.

24- A manutenção do SUS é custeada com recursos financeiros:
A. Da Seguridade Social e dos Municípios;
B. Da Seguridade Social e da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeiras)
C. Da União, Estados e Municípios;
D. Da CPMF, tesoura dos estados e verbas municipais;
E. Da CPMF e verbas municipais.

25- Conforme detalhado na Norma Operacional da Assistência à Saúde(NOAS-SUS 01/01), no limite financeiro do município-sede deverá estar separado o montante de recursos destinado ao atendimento de sua população e o montante correspondente ao atendimento da população referenciada. NÃO se verifica no âmbito dessa estratégia:
A. O estímulo ao planejamento isolado entre gestores municipais;
B. O estabelecimento de diretrizes para a organização do primeiro nível de referência;
C. A introdução de novos mecanismos para a garantia da referência e a responsabilização dos estados no apoio aos municípios;
D. A organização de redes e coordenação do sistema de referência;
E. O avanço em termos de eqüidade na alocação de recursos.

26- Segundo a Norma Operacional Básica96 (NOB) do Ministério da Saúde, gerência é definida como:
A. A direção de um sistema de saúde municipal. Estadual ou nacional;
B. A administração de uma unidade ou órgão de saúde prestador de serviços ao SUS;
C. A administração de uma unidade ou órgão de saúde ou a direção de um sistema de saúde municipalizado;
D. A direção de órgãos coordenados de atividades de saúde no nível municipal , como a Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Sanitária.

27- As ações de saúde dirigidas a grupos específicos da população, dentre outras, são:
A. Controle prioritário de crescimento e desenvolvimento na faixa de 0 a 10anos;
B. Controle e tratamento da Hipertensão Arterial e Diabetes Melittus;
C. Incentivo ao aleitamento materno exclusivo até 2meses de idade;
D. Cobertura de procedimentos odontológicos preventivos na população de 0 a 20 anos.

28- Dentre os objetivos da Norma Operacional da Assistência (NOAS/SUS), destaca-se o de:
A. Fortalecer a capacidade de planejamento e organização dos sistemas contratados;
B. Habilitar 50% dos municípios à gestão descentralizada do SUS além de agilizar e concluir a habilitação dos estados à Gestão Plena do Sistema Estadual(GPSE);
C. Não interferir no processo de habilitação de estados e municípios à gestão descentralizada do SUS;
D. Promover maior eqüidade na alocação de recursos e no acesso da população às ações e serviços de saúde em todos os níveis de atenção;
E. Responsabilizar as SME pela garantia de acesso dos municípios a toda rede privada.

29- A condição essencial para um município obter gestão plena do sistema de saúde municipal é apresentar:
A. Um Conselho Municipal de Saúde organizado;
B. Uma rede de prestação de serviços própria, pelo menos nos níveis primário e secundário;
C. Um plano de consórcio com municípios vizinhos, para oferecer uma rede de serviços completa à população;
D. Uma rede de prestação de serviços própria, pelo menos em no nível primário, podendo conveniar e credenciar os níveis mais complexos.

30- No Brasil, têm direito à assistência médica pelo SUS:
A. Todos os brasileiros, independentemente de qualquer condição;
B. Todos os brasileiros contribuintes da Seguridade Social;
C. Todos os brasileiros ou indivíduos residentes no Brasil, que possuam, no mínimo, certidão de nascimento;
D. Todos os indivíduos, brasileiros ou não, independentemente de qualquer condição.

31- A composição harmônica, integrada e modernizada do SUS visa, fundamentalmente:
A. Oferecer vínculos entre comunidade, entidades religiosas, grupos sociais e o SUS;
B. Oferecer serviços especializados em nível terciário;
C. Dar oportunidade de participação da população no Conselho Nacional de Saúde;
D. Dar oportunidade de participação da comunidade inviabilizando a de seus gestores.

32- O piso de Atenção Básica (PAB), assim como definido pela Norma Operacional Básica (NOB/SUS/96), é transferido mediante:
A. Produção de serviços ambulatoriais registrados no SAI/SUS;
B. Convênio entre os gestores do SUS;
C. Contrato entre os gestores do SUS;
D. Acordo político entre os gestores do SUS;
E. Repasse Fundo a Fundo.
33- A proposta de estimular a atividade comunitária junto aos serviços de saúde na condução do SUS tem como objetivo explicito:
A. Incrementar a participação e controle social;
B. Economizar gastos com recursos humanos;
C. Disciplinar , controlar e reprimir a população;
D. Economizar gastos com infra-estrutura de saneamento.

34- De acordo com política atual de saúde, é correto afirmar que:
A. O cidadão não tem direito ao atendimento odontológico de emergência;
B. Todo cidadão pode denunciar qualquer taxa de serviço cobrada ou má vontade na prestação de serviços de saúde;
C. A participação popular nos Conselhos Locais ou Conferências de Saúde não interfere nas ações políticas do municípios;
D. O Conselho Municipal de Saúde não participa do efetivo controle orçamentário da saúde.

35- O cálculo do repasse de recursos para os Programas de Saúde da Família depende do (a):
A. Volume de atendimentos executados pela equipe médica;
B. Volume de procedimentos executados pela equipe médica equipe de agentes comunitários de saúde;
C. Percentual de população coberta pelo programa;
D. Número de agentes comunitários treinados e em supervisão pela enfermagem;
E. Modalidade de gestão do município.

36- O Sistema Único de Saúde (SUS) é o conjunto de ações e de serviços de saúde prestados por órgãos e instituições públicas federais , estaduais e municipais:
A. Deve contar com a participação exclusiva dos órgãos públicos;
B. Não depende da contribuição vinda do Governo Federal para sua efetivação;
C. Deve garantir o atendimento universal, igualitário e integral a todo cidadão que dele precisar;
D. Conta, para sua efetivação, de forma exclusiva, com a participação dos representantes sociais e gestores municipais.

37- O enfoque epidemiológico no modelo de atenção a saúde proposto pela Norma Operacional Básica 96 recomenda aos municípios que:
A. Restrinjam as ações de saúde aquelas de cunho estritamente preventivo, pois são muito mais eficazes;
B. Identifiquem grupos de risco em cada município, para a eventualidade de ser necessário isolá-los em quarentena;
C. Privilegiem as ações de saúde centradas no meio ambiente , na qualidade de vida e na noção de atenção integral à saúde;
D. Notifiquem a emergência de epidemias em seu território à Fundação Nacional de Saúde, para que esta proceda a campanhas de imunização.

38- O montante correspondente a órteses e próteses é o (a):
A. Piso Assistencial Básico;
B. Remuneração de Atendimentos Hospitalares;
C. Índice de valorização de resultados;
D. Remuneração por Serviços de Diagnósticos;
E. Fração Assistencial Especializada.

39- Segundo a Norma Operacional Básica 96, a relação entre os serviços de saúde e a população deve Ter, como foco principal, uma ética pautada por:
A. Lógica política vigente em cada município;
B. Princípios básicos do código de ética médica;
C. Proposta coletiva que transcende o individual;
D. Padrões regionais definidos nas constituições estaduais.

40-Segundo a Norma Operacional Básica 96, executar ações de alta complexidade em vigilância sanitária é responsabilidade dos municípios em gestão;
A. Incipiente da atenção básica;
B. Parcial da atenção básica;
C. Semiplena da atenção básica;
D. Plena do sistema municipal;
E. Plena da atenção básica.



01B 02B
03D 04D
05C 06C
07 A 08C
09D 10B
11C 12 A
13B 14C
15B 16 A
17B 18E
19B 20E
21E 22D
23D 24C
25 A 26 B
27B 28D
29 A 30E
31 A 32E
33 A 34 B
35C 36C
37C 38E
39C 40D

domingo, 9 de outubro de 2011

Esteriotaxia


A estereotaxia (latin: stereo, tridimensional; taxis, arranjo) é uma técnica moderna da neurocirurgia que permite a localização e o acesso preciso de estruturas intracranianas através de apenas um pequeno orifício no crânio. Procede-se da seguinte forma:
acoplamos um aro estereotáxico externamente à cabeça do paciente;
realizamos a seguir uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio do paciente, com os referenciais no aro;
baseado na imagem do exame, fazemos os cálculos com o auxílio do computador, determinando com precisão a localização de qualquer região do cérebro do paciente, traduzida através de coordenadas estereotáxiacas;
levamos o paciente ao centro cirúrgico e sob anestesia local, fazemos uma pequena incisão no couro cabeludo (4cm a 5 cm ); abrimos um orifício no osso do crânio (1 cm); e introduzimos o instrumental cirúrgico, geralmente uma agulha para biópsia ou punção, guiado com exatidão para alcançar a lesão, de acordo com as suas coordenadas estereotáxicas;
ao atingir o alvo, realizamos então o procedimento, que pode ser a biópsia de lesões cerebrais, como: tumores, inflamações e processos degenerativos; ou mesmo para a drenagem de coágulos, cistos, abcessos, ou outras lesões intracerebrais;
finalizamos então a cirurgia, retirando a agulha e fechando a pequena incisão na pele com pontos simples. O paciente geralmente retorna logo para o seu apartamento, e recebe alta no dia seguinte.
Tumores cerebrais
Freqüentemente confirmamos inicialmente o diagnóstico do tumor através de uma biópsia, a qual é realizada com estereotaxia, e podemos usar também a estereotaxia para auxiliar na cirurgia de ressecação do mesmo, orientando com precisão o melhor local para abordá-lo, seus limites e sua posição, reduzindo os riscos de lesão do cérebro normal, e possibilitando uma retirada mais ampla do tumor.
E agora, com a aquisição do equipamento de braquiterapia pelo hospital, um dos primeiros do País, dispomos de umas das mais avançadas técnicas de radioterapia da atualidade. Trata-se da colocação de sementes radioativas com estereotaxia no centro do tumor, permitindo a liberação de doses mais elevadas de radiação na lesão, com menor incidência de radiação no cérebro normal em sua volta.

Acidentes vasculares cerebrais
Os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos são muito freqüentes em nosso meio, provocados principalmente pela hipertensão arterial não controlada.
Até recentemente, pouco se podia fazer nesses casos, já que a cirurgia convencional para a remoção desses coágulos é muito lesiva e com grande incidência de complicações.

Sendo assim, a melhor opção era a conduta conservadora, onde apenas são feitas as medidas clínicas para reduzir a pressão dentro do crânio, elevada pela presença do hematoma.

Todavia, com o advento da neurocirurgia mini-invasiva, podemos drenar esses coágulos através de um pequeno orifício no crânio, guiando-se uma agulha de punção com estereotaxia para o interior do mesmo, e realizando-se a drenagem contínua desse sangue, que é dissolvido com a infusão de uma substância com essa finalidade (Actilyse). Obtém-se, assim, uma redução da compreensão do hematoma no cérebro, facilitando o controle da pressão intracraniana e melhorando os resultados no tratamento desses pacientes.

Através dessa técnica mini-invasiva, podemos ter acesso a qualquer região dentro do cérebro nos casos indicados, com menor tempo de cirurgia e de internação, baixo custo, sem os riscos de uma anestesia geral, e com menor índice de complicações cirúrgicas.

Hidronefrose 2



A hidronefrose é a dilatação do rim devida ao acúmulo de urina, causada pela pressão retrógrada sobre o rim quando existem uma obstrução ao fluxo urinário.

Normalmente, a urina deixa os rins sob uma pressão extremamente baixa. Quando o fluxo urinárioé obstruído, a urina retorna aos pequenos túbulos renais e à pelve renal (área coletora central), dilatando o rim e comprimindo seus tecidos delicados. A pressão causada por uma hidronefrose prolongada e grave acaba lesando os tecidos renais, de forma que ocorre um comprometimento progressivo da função renal.

Causas

Normalmente, a hidronefrose é decorrente de uma obstrução da junção ureteropélvica (obstrução localizada no ponto de conexão do ureter e da pelve renal). As causas são as seguintes:

Anormalidades estruturais como, por exemplo, quando a união do ureter à pelve renal é demasiadamente alta.
Torção da junção ureteropélvica devida a um deslocamento do rim para baixo.
Cálculos localizados na pelve renal.
Compressão do ureter por faixas fibrosas, por uma artéria ou veia com localização anômala ou por um tumor.
A hidronefrose também pode ser decorrente de uma obstrução localizada abaixo da junção ureteropélvica ou do fluxo retrógrado da urina proveniente da bexiga. As causas são as seguintes:

Cálculos localizados no ureter.
Tumores do ureter ou próximos do mesmo.
Estenose ureteral como resultado de um defeito congênito, de uma lesão, de uma infecção, da radioterapia ou de uma cirurgia exploradora.
Distúrbios dos músculos ou nervos do ureter ou da bexiga.
Formação de tecido fibroso no ureter ou em torno do mesmo decorrente de uma cirurgia, da radioterapia ou de drogas (sobretudo a metilsergida).
Ureterocele (deslizamento da extremidade inferior de um ureter para o interior da bexiga).
Cânceres de bexiga, de colo uterino, de útero, de próstata ou de outros órgãos pélvicos.
Obstrução que impede a passagem da urina da bexiga para a uretra, resultante de um aumento, de uma inflamação ou de um câncer de próstata.
Fluxo retrógrado da urina da bexiga decorrente de um defeito congênito ou de uma lesão.
Infecção grave do trato urinário, a qual impede temporariamente que o ureter contraia.
Ocasionalmente, a hidronefrose ocorre durante a gravidez quando o útero aumentado de tamanho comprime os ureteres. As alterações hormonais que ocorrem durante a gravidez podem agravar o problema ao reduzirem as contrações musculares dos ureteres, que normalmente impulsionam a urina até a bexiga.

Esse tipo de hidronefrose comumente termina após o parto, embora as pelves renais e os ureteres possam permanecer posteriormente um pouco dilatados.

A dilatação prolongada da pelve renal pode inibir as contrações musculares rítmicas que normalmente movimentam a urina através dos ureteres até a bexiga. O tecido muscular das paredes do ureter pode ser substituído por tecido fibroso não funcionante, resultando em uma lesão permanente.
Ocasionalmente, hidronefrose ocorre durante a gestação se o útero que está crescendo comprime os ureteres. Alterações hormonais durante a gestação podem agravar o problema, ao reduzir as contrações musculares dos ureteres que normalmente movimentam a urina até a bexiga.

Esse tipo de hidronefrose habitualmente termina ao se concluir a gestação, embora subseqüentemente a pelve renal e ureteres possam permanecer um pouco distendidos. A distensão prolongada da pelve renal pode inibir as contrações musculares rítmicas que normalmente movimentam a urina pelos ureteres até a bexiga. O tecido fibroso não funcionante pode então substituir o tecido muscular normal nas paredes do ureter, resultando em lesão permanente.

Sintomas

Os sintomas dependem da causa, da localização e da duração da obstrução. Quando a obstrução apresenta um início súbito (hidronefrose aguda), ela normalmente produz uma cólica renal (uma dor intensa e intermitente localizada no flanco, área localizada entre as costelas e o quadril, do lado afetado). Quando a sua evolução é lenta e progressiva (hidronefrose crônica), ela pode ser assintomática ou o indivíduo pode apresentar episódios de uma dor surda no flanco do lado afetado. O médico pode ser capaz de palpar uma massa no flanco, principalmente quando o rim encontra-se muito dilatado em um lactente ou em uma criança. A hidronefrose pode causar uma dor intensa e intermitente decorrente do enchimento excessivo temporário da pelve renal ou da obstrução ureteral temporária causada por um deslocamento do rim para baixo (ptose renal).

Aproximadamente 10% dos indivíduos com hidronefrose apresentam sangue na urina. As infecções do trato urinário, com a presença de pus na urina (normalmente identificada através de um exame laboratorial), febre e desconforto na altura da bexiga ou do rim, são muito comuns. Quando existe uma obstrução do fluxo urinário, pode ocorrer a formação cálculos. Os exames de sangue podem revelar uma concentração alta de uréia, que indica que os rins não estão removendo do sangue uma quantidade suficiente deste produto da degradação metabólica. A hidronefrose pode causar sintomas intestinais vagos como, por exemplo, náusea, vômito e dor abdominal. Algumas vezes, esses sintomas ocorrem em crianças com hidronefrose decorrente de um defeito congênito, uma estenose (estreitamento) da junção ureteropélvica. Quando não tratada, a hidronefrose acaba lesando os rins e pode acarretar insuficiência renal.

Diagnóstico

Vários procedimentos são utilizados para se diagnosticar a hidronefrose. A ultra-sonografia pode fornecer imagens de qualidade dos rins, dos ureteres e da bexiga, sendo particularmente útil nos casos pediátricos. Na urografia intravenosa, os rins podem ser radiografados após a injeção intravenosa de um contraste (substância radiopaca) visível nas radiografias. Imagens radiográficas da bexiga e uretra podem ser obtidas após o contraste injetado passar pelos rins ou após ele ser introduzido no trato urinário por meio da uretra em um procedimento denominado urografia retrógrada. Esses exames podem fornecer informações sobre o fluxo urinário através dos rins. A cistoscopia, em que um tubo de visualização com um dispositivo de fibra óptica é introduzido na uretra, é utilizada para a observação direta do interior da bexiga.

Tratamento e Prognóstico

Quando presentes, as infecções do trato urinário e a insuficiência renal são tratadas imediatamente.

Na hidronefrose aguda, quando a função renal diminui, a infecção persiste ou a dor é intensa, a urina acumulada acima da obstrução renal é drenada assim que possível (normalmente com uma agulha inserida pela pele). Quando a obstrução é total, a infecção é grave ou existem cálculos presentes, um cateter pode ser inserido na pelve renal, através da pele do flanco, para drenar a urina temporariamente.

A hidronefrose crônica é corrigida por meio do tratamento da causa e da eliminação da obstrução urinária. Uma porção estreita ou anormal de um ureter pode ser removida cirurgicamente e as extremidades seccionadas são unidas. Algumas vezes, a liberação dos ureteres do tecido fibroso é necessária. Quando as junções entre os ureteres e a bexiga encontram-se obstruídas, os ureteres podem ser seccionados e, a seguir, fixados em uma parte diferente da bexiga.

Quando a uretra encontra-se obstruída, o tratamento pode incluir drogas (p.ex., hormonioterapia para o câncer de próstata), cirurgia ou dilatação uretral com dilatadores. Para os cálculos que obstruem o fluxo urinário, podem ser necessários outros tratamentos.

Normalmente, a cirurgia de correção da hidronefrose aguda em um ou em ambos os rins é eficaz quando a infecção pode ser controlada e os rins funcionam adequadamente. O prognóstico é menos otimista para hidronefrose crônica.

Lequesle


O paciente é colocado em ortostase, com o quadril de interesse junto ao chassis. A linha entre os ombros do paciente deve estar angulada a 65º, e o pé do lado a ser estudado deve estar paralelo em relação ao chassis. Para saber se a radiografia ficou bem posicionada, deve haver a distância de uma cabeça femoral entre as cabeças. Através dessa incidência, pode-se avaliar o espaço articular nos compartimentos anterior e posterior.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

IFA- Impacto femuro-acetabular


 

INTRODUÇÃO

O quadril é uma articulação complexa do ponto de vista biomecânico e está sujeito a estresse constante decorrente do suporte de peso corporal. Pode ser acometido por afecções congênitas, degenerativas, inflamatórias, traumáticas e neoplásicas, sendo o procedimento cirúrgico, em muitas situações, incluído na terapêutica.

Nas últimas décadas, a avaliação por imagem dessa articulação apresentou notável avanço, principalmente com o advento da tomografia de multidetectores (TCMD) e da ressonância magnética de alto campo (RM). O uso de reformações multiplanares e 3D viabilizadas pela TCMD e a realização de artrorressonância magnética (artro-RM) fornecem informações importantes para o manejo das afecções do quadril, que no passado não faziam parte do cotidiano do radiologista. Além disso, com o desenvolvimento dos procedimentos artroscópicos na última década, a avaliação por imagem dessa articulação passou por uma importante curva de aprendizado.

Em tempos de aparelhos de última geração, entretanto, a radiologia convencional permanece como peça fundamental, sendo o seu uso aliado aos demais métodos de imagem um desafio para o radiologista. Nesse contexto, procuramos estabelecer um protocolo de avaliação por imagem do quadril, que tem sido resultado de trabalho conjunto com alguns serviços de referência em ortopedia nos últimos oito anos.

 

CONCEITOS

Impacto femoroacetabular

A principal função do lábio acetabular é promover uma pressão intra-articular negativa, que permite uma distribuição homogênea do líquido intra-articular, aumentando a lubrificação fluida, prevenindo o contato direto das superfícies articulares e distribuindo a força aplicada sobre a cartilagem hialina.

A porção anterior e anterossuperior da junção condrolabral apresenta uma maior predisposição a lesões labrais, podendo-se citar como causas possíveis uma maior demanda mecânica e a hipovascularização do lábio nessa região. Com a rotura labral, haveria alteração da biomecânica do quadril, determinando erosões condrais e iniciando o processo degenerativo articular.

Dentre as causas de lesão labral, destaca-se o impacto femoroacetabular (IFA), que pode ser dividido em dois tipos: pincer e cam. O primeiro é decorrente do impacto repetitivo entre o lábio acetabular e a transição cabeça/colo femoral nos casos de excesso de cobertura acetabular (retroversão acetabular e coxa profunda/protrusa), sendo o lábio a estrutura mais vulnerável da cadeia fisiopatológica. Predomina na faixa etária dos 20 aos 40 anos, particularmente nas mulheres, ou em mulheres jovens no início da atividade esportiva. Dentre as causas de protrusão acetabular, podem-se citar, ainda: osteoporose, osteomalácia, osteogênese imperfeita, artrite reumatoide, Paget, hipofosfatemia ou idiopática (pelve de Otto). O tipo cam está relacionado à perda da concavidade da transição cabeça/colo femoral, que determina impacto na porção anterossuperior da cartilagem acetabular, com posterior erosão condral e destacamento do lábio adjacente. Esta perda de concavidade é vista ainda nos casos de epifisiólise da cabeça femoral, sequela de Legg-Perthes e de fratura no colo femoral.

Radiologia convencional

As incidências radiográficas que podem ser utilizadas na propedêutica do IFA são: a) radiografia de frente da bacia em ortostase e decúbito dorsal; b) Lauenstein; c) Lequesne; d) Ducroquet; e) Cross table ou perfil de Arcelin; f) Dunn.

a) Radiografia de frente da bacia em ortostase e decúbito dorsal

O paciente é posicionado em ortostase, com rotação interna dos pés (cerca de 15º), sendo a radiografia centrada a 2 cm acima da sínfise púbica. A rotação interna faz com que o trocanter maior não se sobreponha ao colo femoral. Os forames obturatórios e as asas dos ilíacos devem estar simétricos e o cóccix alinhado com a sínfise, distando no máximo 2,5 cm.

Nesta incidência avaliam-se: ângulo colodiafisário; ângulo de cobertura acetabular; coxa profunda; retroversão acetabular; transição cabeça/colo femoral. O ângulo colodiafisário é formado pela intersecção das linhas traçadas ao longo dos eixos do colo e da diáfise femoral (valor normal: entre 125 e 140º; acima de 140º, coxa valga; abaixo de 125º, coxa vara). O ângulo de cobertura acetabular é formado pela intersecção de duas linhas a partir do centro da cabeça femoral, uma delas perpendicular e outra tangenciando o rebordo acetabular (valor normal: entre 25 e 40º; acima de 40º, indica excesso de cobertura acetabular; entre 20 e 25º, déficit de cobertura; abaixo de 20º, acetábulo displásico).

b) Incidência de Lauenstein (posição de rã)

O paciente é posicionado em decúbito dorsal, em abdução e rotação externa máxima dos quadris, com a planta dos pés justaopostas, tendo como principal objetivo a avaliação da porção anterossuperior da cabeça femoral, nos casos em que há suspeita de fraturas subcondrais ou osteonecrose.

c) Falso perfil de Lequesne

O paciente é colocado em ortostase, com o quadril de interesse junto ao chassis. A linha entre os ombros do paciente deve estar angulada a 65º, e o pé do lado a ser estudado deve estar paralelo em relação ao chassis. Para saber se a radiografia ficou bem posicionada, deve haver a distância de uma cabeça femoral entre as cabeças. Através dessa incidência, pode-se avaliar o espaço articular nos compartimentos anterior e posterior.

d) Incidência de Ducroquet

O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com o quadril fletido a 90º e abduzido 45º, e o raio central deve ser perpendicular à raiz da coxa. Nessa incidência, é possível avaliar a perda da concavidade da porção anterior da transição cabeça/colo femoral nos casos de IFA do tipo cam.

e) Incidência cross table ou perfil cirúrgico de Arcelin

Paciente em decúbito dorsal, com o membro inferior de interesse estendido e flexão máxima do contralateral, com distância foco-filme de cerca de 1,2 m e com o raio horizontal angulado 45º cefálico, centrado na raiz da coxa. É de fundamental importância no estudo do impacto do tipo cam, para a avaliação da porção anterior da transição cabeça/colo femoral, com o cálculo do ângulo alfa nos casos duvidosos. Para o cálculo do ângulo alfa: traça-se um círculo na cabeça femoral; a partir do centro deste círculo, traçam-se duas linhas, uma no sentido do eixo do colo femoral e outra até o ponto onde a cortical da porção anterior da transição cabeça/colo perde o contato com o círculo (valor normal: < 55º).

f) Incidência de Dunn

A incidência de Dunn é uma variante da incidência de Ducroquet, realizada com o paciente em ortostase, com o quadril fletido a 45º e abduzido a 20º, sendo que o raio central deve ser perpendicular à raiz da coxa. É útil na avaliação da porção anterossuperior da transição cabeça/colo femoral.


 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nervos cranianos



Nervos correspondem a um conjunto de fibras nervosas unidas por tecido conjuntivo denso, organizadas em feixes, sendo responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos. Fibras sensoriais levam impulsos das células para o sistema nervoso central; e fibras motoras, do sistema nervoso central aos músculos.

Nervos cranianos partem do encéfalo, em doze pares, conectando-o a órgãos do sentido e músculos, principalmente aos localizados na região da cabeça.

São eles:

I – Nervo olfatório

É um nervo sensitivo e, como sugere seu nome, transmite impulsos relacionados ao olfato.


II – Nervo óptico

Também sensitivo. Suas fibras estão relacionadas aos impulsos visuais.


III- Nervo óculo-motor

IV- Nervo troclear

VI- Nervo abducente

Nervos predominantemente do tipo motor, responsáveis por informações relacionadas aos movimentos dos olhos, incluindo também o ajustamento do foco e de luz. Algumas fibras sensitivas atuam no que se diz respeito a informações relativas às condições musculares do indivíduo.


V- Nervo trigêmeo

É um nervo misto: fibras motoras estão relacionadas aos músculos da mastigação; e as do tipo sensitivas, enviam mensagens dos olhos, glândulas lacrimais, pálpebras, dentes, gengivas, lábios, palato, pele da face e couro cabeludo.


VII- Nervo facial

Nervo misto. Fibras motoras fornecem impulsos relacionados à expressão facial e liberação de lágrimas e saliva. Fibras sensitivas são responsáveis por aspectos relacionados à gustação.


VIII- Nervo vestíbulococlear

Sensitivo. Está relacionado ao equilíbrio corporal e audição.


IX- Nervo glossofaríngeo

Do tipo misto, sendo que as fibras sensitivas são responsáveis pelos impulsos originários da faringe, tonsilas, língua e carótidas; e as motoras, por levar impulsos às glândulas salivares e músculos faríngeos.


X- Nervo vago

Misto. Relacionado aos batimentos cardíacos, funcionamento dos pulmões e sistema digestório, fala e deglutição.


XI- Nervo acessório

Do tipo motor, enviando mensagens aos ombros, pescoço, faringe, laringe e palato mole.


XII- Nervo hipoglosso

Também motor, sendo responsável pelos movimentos dos músculos da língua, faringe e laringe.

Espondilose cervical


1. O que é espondilose cervical?

R.: Espondilose cervical é o conjunto de alterações conseqüentes a artrose da coluna cervical. Com a idade, os discos intervertebrais perdem sua elasticidade, por perda progressiva do seu conteúdo de água. Os discos são normalmente nutridos a partir dos vasos sangüíneos das vértebras adjacentes, não tendo uma circulação sangüínea própria. Quando a nutrição discal se torna insuficiente, há perda dos seus elementos constituintes, que leva a redução da altura do disco, da sua resistência aos movimentos e aos traumas, mesmo pequenos, facilitando a sua rotura e degeneração. Estas alterações discais são seguidas de reações ósseas das vértebras adjacentes, com a formação de osteófitos, ou bicos-de-papagaio, que tendem a fundir as vértebras. Concomitantemente, há hipertrofia dos ligamentos e das outras articulações da coluna vertebral. Este conjunto de alterações pode determinar uma redução do canal vertebral e dos forâmenes de conjugação. O canal vertebral contém a medula espinhal, que é uma estrutura nervosa responsável pela transmissão de todos os impulsos nervosos que chegam dos membros ao cérebro e que levam os estímulos nervosos do cérebro para os nervos e, conseqüentemente, para os músculos do corpo. Os forâmenes de conjugação são passagens laterais da coluna cervical por onde passam as raízes nervosas que formam os nervos para os membros superiores. Por elas trafegam os impulsos nervosos que trazem as informações sensitivas e os que levam as ordens do cérebro para os músculos se contraírem.

2. O que causa a espondilose cervical?

R.: Não há uma causa única para a espondilose cervical. Pode haver uma predisposição à mesma nas pessoas cujo canal vertebral é congenitamente estreito. Pequenos traumas repetidos contribuem para que os discos intervertebrais sejam lesados progressivamente, iniciando o processo de espondilose. Algumas profissões e atividades esportivas aumentam este risco. Outro fator importante é o tabagismo, pois compromete a micro-circulação sangüínea e prejudica a nutrição do disco. Os osteófitos, os ligamentos e as facetas articulares hipertrofiados e os fragmentos discais protruidos, em conjunto, reduzem o canal e os forâmenes vertebrais, levando a compressão da medula e das raízes espinhais.

3. Como se manifesta a espondilose cervical?

R.: As manifestações mais comuns são a dor cervical e a limitação dos movimentos do pescoço. Acompanham-se, muitas vezes, de uma sensação de ouvir "areia na coluna", aos seus movimentos. A pessoa refere que tem a impressão de que "falta lubrificação na coluna". Estas alterações são extremamente freqüentes com o avanço da idade e não tem maior importância. Em algumas pessoas, no entanto, o estreitamento do canal e dos forâmenes vertebrais leva a compressão nervosa. Nestes casos podem ocorrer três formas de comprometimento e que devem ser avaliados por médico especialista. A radiculopatia é a compressão de uma raiz nervosa. Manifesta-se por dor irradiada do pescoço para a escápula e para um dos membros superiores, seguindo um trajeto bem definido e constante. Acompanha-se de uma sensação de formigamentos ou de dormência neste mesmo trajeto, desde o ombro até determinados dedos da mão. Pode, por exemplo, expressar-se por formigamentos nos dois primeiros dedos, nos dedos indicador e médio, ou ainda nos dois últimos. Muitas vezes há também perda de força de um grupo muscular e que também depende da raiz ou raízes comprometidas. Pode, por exemplo, expressar-se por perda da força de flexão do antebraço, ou então de sua extensão, ou ainda de determinados dedos da mão. A mielopatia é a lesão da medula espinhal, comprimida em conseqüência da espondilose. Manifesta-se por perda progressiva dos movimentos dos quaro membros. Inicia-se, geralmente, por dificuldade progressiva de caminhar, acompanhada de uma sensação de endurecimento dos músculos dos membros inferiores. Há perda da capacidade de comandar as pernas e que progride para o mesmo déficit nos membros superiores. Surge uma sensação de dormência nas pernas e no tronco, que ascende progressivamente. Acompanha-se de uma sensação de urgência para urinar e que evolui para a incapacidade de reter a urina. Nos homens, há também disfunção erétil. A mielorradiculopatia é uma combinação da radiculopatia e da mielopatia, com manifestações de ambas.

4. Como fazer o diagnóstico da espondilose cervical?

R.: O diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado com exames por imagem. Quadros clínicos de radiculopatia e de mielopatia precisam ser adequadamente identificados por médicos habilitados e que, em geral, são neurologistas ou neurocirurgiões. Evidentemente, outros especialistas podem igualmente identifica-los. As radiografias simples da coluna cervical tem valor limitado no diagnóstico, podendo evidenciar a presença e o grau de redução dos espaços discais e dos osteófitos, permitindo uma avaliação grosseira do canal vertebral e dos forâmenes. A tomografia computadorizada permite uma avaliação mais detalhada das alterações ósseas e discais, bem como do canal vertebral e dos forâmenes. A ressonância magnética da coluna cervical é o melhor exame para a avaliação do grau de comprometimento da medula e das raízes. Permite, também, excluir outras causas de mielopatia ou de radiculopatia. É importante lembrar que os exames por imagem são complementares e não tem valor isoladadamente. Em outras palavras, as alterações devem obrigatoriamente ser avaliadas no contextoTitulo clínico.

5. Como se trata a espondilose cervical?

R.: Os casos mais simples, e que também são os mais freqüentes, nos quais não há comprometimento das funções nervosas, são tratados sintomaticamente e com exercícios que visam melhorar a amplitude dos movimentos cervicais, além de corrigir a postura, quando alterada. Nos casos em que há apenas radiculopatia, pode-se tentar tratamento conservador, com anti-inflamatórios, analgésicos e fisioterapia. Quando estas medidas não são seguidas de recuperação funcional, pode estar indicada a descompressão cirúrgica. Nos casos em que há mielopatia progressiva, o tratamento deve ser a descompressão cirúrgica da medula espinhal.

Granulomatose de Wegener



A granulomatose de Wegener caracteriza-se por vasculite necrosante granulomatosa que acomete preferencialmente vias aéreas superiores, inferiores e rins. Seu diagnóstico é feito associando-se as manifestações clínicas, radiológicas (multiplos nódulos escavados) e os achados anatomopatológicos e o anticorpo anticitoplasma de neutrófilos positivo.
INTRODUÇÃO

A granulomatose de Wegener é uma doença sistêmica caracterizada por vasculite necrosante granulomatosa com acometimento preferencial das vias aéreas superiores e inferiores, pulmões, além de glomerulonefrite e graus variados de vasculite sistêmica. Acomete homens e mulheres sem predileção por sexo, com maior freqüência em indivíduos na quinta década de vida, podendo ocorrer, no entanto, em qualquer faixa etária.

Os sinais e sintomas iniciais são bastante inespecíficos e o tempo até o diagnóstico pode ser bastante prolongado, principalmente nos casos de evolução mais indolente. Sintomas constitucionais (febre e emagrecimento) estão presentes em cerca de 40% e 70% dos pacientes, respectivamente, no momento da apresentação.

 

MANIFESTAÇÕES PULMONARES

O envolvimento pulmonar ocorre em cerca de 45% dos casos no início da doença e entre 66% e 85% no seu decorrer. Os sintomas mais comuns são tosse e hemoptise, seguidos de dispnéia. Os achados radiológicos mais freqüentes são infiltrados pulmonares (67%) e nódulos (58%), estes geralmente múltiplos, bilaterais e cavitação em cerca de 50% dos casos. A tomografia computadorizada de tórax revela infiltrados e nódulos não observados no radiograma convencional em 43% a 63% dos pacientes. Manifestações menos freqüentes incluem derrame pleural (5% a 20% dos pacientes), presença de massas mediastinais e aumento de linfonodos.

Alterações em vias aéreas inferiores são bastante comuns (37%) como achado incidental, sendo a estenose subglótica a manifestação mais freqüente. São relatados dispnéia aos esforços, tosse e estridor nas formas mais graves. Em 75% dos casos o achado broncoscópico é o de segmento estenótico da via aérea, com aparência cicatricial, sem alterações inflamatórias agudas. A estenose subglótica é a manifestação mais comum, sendo freqüentemente necessárias dilatações, muitas vezes com múltiplos procedimentos. Nos casos extremos de insuficiência respiratória, utilizam-se próteses intratraqueais e traqueostomia. Em geral são realizadas dilatações, ressecções com laser de CO2 e injeções intralesionais de corticosteróide. Cerca de 45% dos pacientes necessitam de procedimentos múltiplos para resolução da estenose.

 

MANIFESTAÇÕES EXTRAPULMONARES

O acometimento de vias aéreas superiores é a manifestação clínica mais freqüente, estando presente em 73 a 93% dos pacientes na apresentação do quadro e em 92% no decorrer do tempo. Podem ocorrer sinusite, rinorréia purulenta, úlceras mucosas, crostas nasais, epistaxe e obstrução nasal. O nariz em sela, secundário ao desabamento da ponte nasal, raro (12%), é bastante característico da doença, apesar de não ser patognomônico. Existe ainda predisposição à infecção crônica por Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa.

Otite média e otalgia também são bastante freqüentes, assim como perda da audição. Também podem estar presentes úlceras orais dolorosas, gengivite hiperplástica e aumento doloroso das glândulas submandibulares e parótidas.

O acometimento renal ocorre entre 70%(3) e 77%(4) dos pacientes no decorrer da doença, com leucocitúria, hematúria e proteinúria, mas raramente é devido à doença granulomatosa. As manifestações histopatológicas vão desde formas leves, como a glomerulonefrite segmentar e focal, a glomerulonefrite rapidamente progressiva, que freqüentemente cursa com insuficiência renal dialítica.

Manifestações oculares inespecíficas estão presentes em 15% dos pacientes no início da doença e em até 61% no seu decorrer.(4) Podem ocorrer hemorragias conjuntivais, esclerite, uveíte, ceratite e episclerite, além de obstrução do ducto lacrimal. Proptose, secundária à formação de pseudotumor retroorbitário, ocorre em até 15% dos pacientes, em geral associada a dor ocular, diplopia ou perda de visão.

Manifestações cutâneas aparecem em até 60% dos pacientes no decorrer da doença,(4) caracterizando-se por úlceras, púrpuras palpáveis, nódulos subcutâneos, pápulas e vesículas. Pioderma gangrenoso e fenônemo de Raynaud são raramente relatados.

O envolvimento neurológico é bastante raro na apresentação da doença, mas pode chegar até 33,6% no seu decorrer. A manifestação mais comum é a neuropatia periférica, sendo mais freqüentes mononeurite multiplex e polineuropatia distal simétrica sensitivo-motora. O acometimento do sistema nervoso central é menos freqüente (4%) e pode se manifestar como infarto cerebral, hematoma subdural e hemorragia subaracnóidea. Acometimento dos pares cranianos, especialmente do II, VI e VII, pode ocorrer. Oftalmoplegia pode ocorrer de forma independente ou associada ao pseudo-tumor retroorbitário.

Ainda podem ocorrer acometimento do sistema gastrintestinal, com úlceras e hemorragia digestiva, isquemia cardíaca devida a lesões coronarianas, e manifestações genitourinárias, e músculo-esqueléticas.


APRESENTAÇÃO RADIOLÓGICA

Alterações no radiograma simples de tórax estão presentes em até 85% dos casos. Os achados radiológicos mais freqüentes são infiltrados pulmonares (67%) e nódulos (58%), estes geralmente múltiplos, bilaterais e cavitação em cerca de 50% dos casos. A tomografia computadorizada de tórax é superior ao radiograma simples, revelando infiltrados e nódulos não observados no radiograma convencional em 43% a 63% dos pacientes.

Nódulos são identificados em até 70% dos casos, variando de poucos milímetros a 10cm. Tendem a ser múltiplos, com distribuição homogênea bilateral, e podem aumentar em tamanho e número com a progressão da doença. Cavitação é vista na maioria dos nódulos com mais de 2cm de diâmetro.

Áreas de consolidação e vidro fosco são vistas em até 50% dos casos, e podem seguir diversos padrões, entre eles consolidação com distribuição peribrônquica, consolidação focal sem ou com cavitação, bandas parenquimatosas, áreas de consolidação periférica mimetizando infartos pulmonares, e áreas de vidro fosco difusas e bilaterais, em geral representando hemorragia alveolar. Manifestações menos freqüentes incluem derrame pleural (5% a 20% dos pacientes), presença de massas mediastinais e aumento de linfonodos, em geral em associação com infiltrados parenquimatosos.

Condrocalcinose articular familiar


Condrocalcinose articular familiar é uma condição clínica caracterizada pela deposição de cristais de pirofosfato de cálcio no líquido sinovial e cartilagens articulares levando à artrite. Descrevemos três membros de uma família com condrocalcinose cujo quadro clínico era caracterizado por artrite intermitente em dois e artrite crônica lembrando artrite reumatóide em um. A avaliação radiológica mostrou calcificações em cartilagens de diversas articulações, particularmente de joelhos. A utilização de colchicina foi suficiente para prevenir as crises de artrite em dois pacientes e o paciente com a forma crônica necessitou uso contínuo de antiinflamatórios não-hormonais. Embora aparentemente rara no Brasil, não afastamos a possibilidade desse dado estar subestimado e sugerimos que seja realizada uma avaliação radiológica articular dos familiares de todo paciente com diagnóstico de condrocalcinose esporádica.


Condrocalcinose é uma situação clínica decorrente da deposição de cristais de pirofosfato de cálcio em cartilagens, particularmente de articulações. O quadro clínico é caracterizado por uma artrite aguda recorrente ou, raramente, crônica que usualmente envolve grandes articulações, principalmente de joelhos. Pode estar associada a uma ampla variedade de enfermidades metabólicas como hiperparatireoidismo, hemocromatose, doença de Wilson, hipotireoidismo, hipofosfatemia, hipomagnesemia. Entretanto, a maior parte dos casos é esporádica, sem doença subjacente ou predisposição familiar.